O que há de errado com o software “corporativo”

27nov07

Começando pelo final: o software “corporativo” é feito para quem o compra, não para quem o utiliza.

Atualmente, até mesmo nas pequenas empresas brasileiras, permeia um pensamento bizarro: quanto mais processos, documentos, burocracia, horas extras e falta de transparência, melhor. É o chamado comportamento corporativo.

Em algum momento da história, sabe-se lá por qual motivo, as pessoas passaram a acreditar que todas as empresas devem copiar fielmente o modelo de trabalho das grandes corporações. Isso é compreensível até certo ponto, afinal, essas corporações “deram certo”. No entanto, é muito esquisito ver pequenas empresas, que deveriam se aproveitar dessa característica, se prejudicarem por adotar esse modelo.

Como diz Jason Fried, da 37signals, as grandes corporações objetivam vender software para as empresas da Fortune 500, mas as pequenas devem focar na “Fortune 5.000.000″, isto é, para que competir no mercado das grandes se há muito espaço para vender software para pequenas empresas e até mesmo para pessoas diretamente? É aqui que ganha muita força o conceito de Software as a Service (SaaS – vale a pena ler sobre isso).

É muito mais fácil conseguir feedback quando se faz software para pessoas e pequenas empresas. O motivo? Você está lidando diretamente com o usuário do sistema. Já quando se desenvolve para grandes empresas, há uma clara separação: há aquele que compra o software e aquele que usa o software. Na grande maioria das vezes, o usuário só terá contato com o software já após sua implantação, durante o treinamento (quando existe).

Até mesmo os vendedores de software já têm táticas definidas para esses casos: eles nunca falam do software em si, mas sim o que as pessoas que têm o poder de compra do software querem ouvir.

O software (projeto ou produto) é comprado, montanhas de especificações são escritas e entregues aos desenvolvedores, o cronograma atrasa, o custo é duas vezes maior do que a estimativa, tudo é feito às pressas e, meses depois, o verdadeiro usuário tem um monstro em suas mãos. Aí então começam meses de correções, renegociações e toda a balela que já conhecemos.

Já passou da hora de repensarmos sobre isso. Como de praxe, o Brasil sempre fica para trás e só percebe as mudanças muito tempo depois. Em outros países, muitos empreendedores já perceberam isso e estão trilhando novos caminhos. Estamos entrando na “era das startups”.

Até quando nós ficaremos fora desse movimento?

Leia mais:
Small is beautiful for Web 2.0 start-ups

Business Inovation Factory – Jason Fried Interview

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2 Responses to “O que há de errado com o software “corporativo””

  1. Ótimo artigo!
    Realmente a missão não é fácil…principalmente em se tratando da cultura já estabelecida.
    De qualquer forma é para essa evolução que lutamos e devemos continuar lutando!
    Abraços!


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